Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

O Anel

– Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem-me que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?

O professor sem olhá-lo, disse-lhe:

– Sinto muito meu jovem, mas não te posso ajudar, primeiro devo resolver o meu próprio problema. Talvez depois…

E fazendo uma pausa falou:

– Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois talvez te possa ajudar.

– C...Claro, professor, gaguejou o jovem, mas sentiu-se outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar o professor. Este tirou um anel que usava no dedo mindinho, deu-o ao jovem e disse:

– Monta no meu cavalo e vai até ao mercado. Devo vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vai e volta com a moeda o mais rápido possível.

O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse mas quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saíam sem olhar para ele, só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era valiosa demais para comprar aquele anel.

Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer-lhe uma moeda de prata e outra de cobre mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas. Depois de oferecer a jóia, sem sucesso, a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso montou no cavalo e voltou.

O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, livrando assim a preocupação do seu professor e podendo receber ajuda e os conselhos que pretendia.

Entrou na casa e disse:

– Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas não acho que se possa enganar alguém sobre o real valor do anel.

– Muito importante o que disseste, meu jovem - contestou sorridente. Primeiro devemos saber o valor do anel. Volta a montar no cavalo e vai até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exacto do anel. Dizes que queres vender o anel e perguntas quanto te dá por ele. Não importa quanto ele te ofereça, não o vendes... Volta aqui com o meu anel.

O jovem foi até ao joalheiro e deu-lhe o anel para avaliar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou-o e disse:

– Diz ao teu professor que se ele quiser vender o anel agora não posso dar mais que cinquenta moedas de ouro.

– CINQUENTA MOEDAS DE OURO!!! - Exclamou o jovem.

– Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com o tempo poderia oferecer cerca de setenta moedas mas se a venda é urgente...

O jovem correu emocionado a casa do professor para contar o que ocorreu.

– Senta-te – disse o professor.

– Tu és como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por alguém com conhecimentos para o fazer. Pensavas que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor? E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.

– Todos somos como esta jóia – valiosos e únicos – e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.

NINGUÉM PODE FAZER-TE SENTIR INFERIOR SEM O TEU CONSENTIMENTO.

Autor desconhecido

Publicado por Eira-Velha às 19:20
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

O Maio e a Maia

Há muitos, muitos anos, as terras da Maia ainda eram densas de florestas e de campos verdejantes. Os seus habitantes tiravam o seu sustento e a sua riqueza dos campos que cultivavam.

Num belo dia do mês de Maio nasceu uma menina, de olhos muito azuis e cabelos cor de fogo. Seus pais, humildes e modestos camponeses, felizes com o evento, não se cansavam de contemplar aquele ser tão ágil e tão pequenino que lhes sorria... um sorriso grande que iluminava tudo!

Desde o seu nascimento que aquela casa estava diferente, com um perfume estranho e uma música celestial que não se sabia de onde vinha... Cedo se aperceberam que qualquer coisa de anormal se passava com a pequenita: quando esta sorria, tudo em seu redor também sorria, uma música de encantar fazia-se ouvir, o perfume da primavera e uma sensação de paz e felicidade rodeava tudo e todos.

Cada vez mais assustados com este fenómeno, os pais foram pedir conselho ao prior da aldeia. Este nada de anormal achou naquela criança, antes pelo contrário, foi Deus que quis que esta menina trouxesse consigo a música e o perfume das flores do mês de Maio.

Os pais não ficaram lá muito satisfeitos com esta explicação e receosos que os vizinhos troçassem da filha quando se apercebessem das faculdades da criança manifestaram o seu medo... Não seria nada de sobrenatural?

O padre sorriu diante do receio daqueles pais assustados e sugeriu-lhes que quando a baptizassem, lhe dessem o nome de Maia, em homenagem ao mês de Maio, mês em que nascera, mas também ao mês das cores e dos perfumes do campo.

Durante doze longos anos Maia foi crescendo, desenvolvendo-se em sabedoria e beleza, tornando-se numa linda rapariga. Seus pais cultivaram durante todos esses anos o medo da reacção dos vizinhos se descobrissem o dom da filha e fecharam-na em casa, sem poder brincar com as crianças da sua idade, sem crescer com elas, sem amigos, sem contactos com outras pessoas que não fossem os seus pais. Maia não compreendia tal atitude, pois apesar do que lhe dizia seus pais, não se achava diferente das outras crianças. Mesmo assim e apesar dos seus protestos e dos sucessivos pedidos de esclarecimento, nunca os seus pais cederam e deixaram que ela enfrentasse a aldeia.

A voz dos vizinhos foi crescendo ao longo destes anos. Preocupados com a criança que nunca saía de casa, que nunca viram brincar com as outras crianças, pediram ao prior que fosse ver o que se estava a passar. E este foi descobrir Maia linda como as flores, rodeada de plantas e animais que foram os seus amigos e companheiros de brincadeiras durante todos estes anos. Esta,sorrindo, levantou-se e beijou a mão do prior... e aqueles olhos azuis e o som da sua voz quente e cristalina tiveram o condão de transformar um céu triste num belo dia de primavera, luminoso, onde o cheiro dos campos floridos rodeavam tudo à sua volta e uma cálida sensação de paz e felicidade invadiu o corpo do padre já vergado pelo peso dos anos.

Encantado com tal prodígio, mas zangado com a atitude dos pais, o prior levou-a para a igreja e lá, no final da Missa, apresentou-a a toda a aldeia que a acolheu, finalmente, no seu seio! Sorrindo, Maia agradeceu o cuidado demonstrado por todos.

Foi nesta altura que o perfume das flores de Maio irrompeu pela igreja! Uma música suave, terna e repousante prendeu, como que enfeitiçados, os corações de todos os presentes! E foi assim que a fama do seu sorriso e a candura sua voz se espalharam rapidamente pelas aldeias vizinhas!

Com o decorrer do tempo as romagens à Terras da Maia começaram a ser cada vez em maior número, só para verem com os seus próprios olhos aquela menina dos cabelos de fogo e de belos olhos azuis que quando sorria ou falava tudo se modificava em seu redor.

Ainda hoje - diz-se entre os mais velhos - que nas Terras da Maia, muitos anos depois da menina já ter morrido, e durante o mês de Maio, se mantém o velho costume de pelos campos maiatos, vestidos de amarelo pelas flores do mês de Maio, se procurar por entre as maias floridas, aquela que reúna em si mesmo o cheiro dos mil perfumes e o som da música celestial...

E, segundo a lenda, quem o descobrir, conseguirá ouvir a voz doce e quente da Maia do passado e sentir-se-ão, de novo, a música e os perfumes dos campos na primavera, misturados com uma agradável e dolente sensação de bem estar, de paz interior e de felicidade!

http://www.eb1-gestalinho.rcts.pt/lendas.htm

Publicado por Eira-Velha às 15:51
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